Luta pela vida

5 06 2008

Por Julia Reina

Assisti ao filme “A Luta de Milly” e chorei demais. Recomendo para todos. Baseado em uma história real, o filme narra, com muita sensibilidade, a luta de uma mulher contra o Mal de Parkinson, e sua busca por mais recursos para pesquisas de cura da doença. O que mais me comoveu foi o amor e a força do marido ao lado de Milly, o filme é de uma sensibilidade tão extrema, que é possível senti-lo na pele.

No final, o ator Michael J. Fox faz um apelo pela liberação de pesquisas com células-tronco. Um discurso que merece ser visto e ouvido em qualquer época.

Pra quem não sabe, as células-troncos são capazes de se transformar em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos e sangue. Por isso, são potencialmente úteis para o tratamento de muitas doenças.

Encontradas em células embrionárias e em vários locais do corpo, como, por exemplo, no cordão umbilical e na medula óssea, podem ser a cura para pacientes que tiveram órgãos danificados por doenças e traumas – como lesões na medula espinhal que impedem os movimentos.

Muitos países, como Alemanha, Japão e China permitem pesquisa com embriões. O Reino Unido tem uma das legislações mais liberais do mundo, que permite, inclusive, a clonagem para fins medicinais. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal aprovou essa semana a continuidade de pesquisas com células-tronco embrionárias para usos terapêuticos.

Aluguem e assistam com a mente e coração abertos, e não esqueça de levar o lencinho!





O casamento perfeito

30 04 2008

 

Por Ligia Tuon

 

Como seria poder conhecer certas obscuridades escondidas no nosso planeta tão perfeitamente bem e de forma nítida, como assistimos a uma história na telinha dos cinemas? Será que é possível? Aparentemente sim.

 

O antropólogo e cineasta Jean Rouch conseguiu incorporar a magia e a verossimilhança da sétima arte com a desconhecida e exótica realidade. Em seus documentários ele procura captar a essência de costumes estranhos aos olhos ocidentais.

 

É o que acontece no curta Os Mestres Loucos (1955), no qual Rouch filma, em apenas um dia, um ritual um tanto quanto excêntrico de uma seita da capital de Gana: Os Haoukas. No início do documentário, o diretor avisa: O filme é forte e as imagens podem ser pesadas para a nossa cultura. Ele não está exagerando, o telespectador deve ter estomago forte e muita curiosidade.

 

Os Haoukas são jovens trabalhadores de Accra e se reúnem anualmente para realizar uma grande cerimônia. Após a confissão pública, na qual os participantes têm o dever de contar aquele segredo mais escondido e que não seria aceito pela sociedade, começa o rito da possessão. Entorpecidos por uma substância alucinógena, os jovens africanos entram em uma segunda realidade, na qual o grupo se hierarquiza e fica fora de si.    

 

Surgem os personagens dominantes da nova realidade, como o motorista de caminhão, o condutor da locomotiva, o general, a mulher do capitão e a figura principal: O Governador. A cerimônia atinge seu ápice quando os Haoukas devoram um cão. Eles o fazem para provar que são mais fortes e não temem desafios. No final da festa todos voltam ao normal e retomam suas atividades corriqueiras.

 

No decorrer dessa viagem ao desconhecido, não podemos deixar de nos perguntar: “Se esses africanos não conhecem certos remédios quem permitem que eles não sejam anormais, mas perfeitamente integrados ao seu meio. Remédios que nós ainda não conhecemos.”

 





Numa casa qualquer…

17 04 2008

 

Por Fernanda Emmerick

 

O filme “A casa de Alice”, de Chico Teixeira, ficou em cartaz de outubro de 2006 a fevereiro desse ano. O longa, elogiadíssimo, será apresentado na 15 ° edição do Festival CineLatino da Alemanha. Este é dedicado ao cinema latino-americano e espanhol. Ocorrerá entre 16 e 30 de abril, nas localidades de Sttutgart, Heidelberg, Frankfurt, Freiburg e Tübingen.

 

 

O drama relata uma família de classe média baixa, a qual vivencia problemas emocionais e estruturais. Alice, interpretada pela atriz Carla Ribas, é manicure e casada com um taxista, Lindomar (Zé Carlos Machado). O casamento possui uma relação fria e desgastada. Seu marido mantém um caso com sua vizinha, uma garota muito mais jovem que ele e ela inicia um relacionamento, então, com o ex-namorado, e atual marido de uma cliente, Nilsson (Luciano Quirino).

 

A vida dentro de casa é sofrida e sacrificante, e a mãe de Alice, Jacira (Berta Zemel) é quem cuida da casa e vê tudo o que acontece em seu interior, apesar de  no decorrer do filme sofrer de problemas oftalmológicos. Os filhos, todos estudantes, brigam constantemente. Dependentes dos pais e da avó, alguns deles escondem segredos. Lucas (Vinícius Zinn) é o mais velho dos três filhos. Machista e autoritário é garoto de programa. Edinho (Ricardo Vilaça), o do meio e preferido da avó, furta dinheiro da mesma e leva para casa aparelhos eletrônicos e acessórios, sem explicação plausível. Junior (Felipe Massuia), o caçula, é mimado e apegado ao irmão mais velho. Os conflitos são muitas vezes desmascarados em momentos de refeição, os únicos em que a família realmente se reúne.

 

O filme relata mais que intrigas familiares, mas intrigas humanas. A vida de pessoas com pouco espaço físico e recursos financeiros, as quais não têm direito a sonhos e progresso. Sua primeira cena é constituída pela aparição de um rato que é, posteriormente, envenenado por Jacira. Se analisado de forma metafórica, pode-se concluir que o filme mostrará a sujeira existente na casa e o fato de a avó desejar eliminá-la, mesmo que se calando. A vida de Alice demonstra não só isso, como também a prisão emocional na qual a personagem vive. O falso moralismo e as mentiras são permanentes na vida da manicure e seu marido, que mentem para seus clientes sobre suas próprias vidas. Relacionamento perfeito, filhos em sintonia e prosperidade são características ausentes no cotidiano dos personagens, mas existentes em seus falsos relatos.

 

A “cegueira” desenvolvida por Jacira refere-se ao fato de a avó presenciar e conhecer a real vida de todos os membros da família. Apesar do conhecimento desses fatos, finge não enxergar a degradação familiar e não opina. A cegueira é compreendida como emocional, uma mulher que fica cega de tanto ver.

 

Inúmeras cenas de silêncios, demosntram claramente  um cotidiano e relações frias, nas quais calar-se é, muitas vezes, a melhor solução.

 

O desfecho não é transformador e mostra que a vida de Alice se manterá igual, o que ilustra perfeitamente o dia-a-dia de muitas pessoas. A obra tem, assim, função de espelho. 
 
 
 

 

 

 





O canto do pardal

14 04 2008

Por Mariana Setubal

 

Eis a dúvida: publicar ou não publicar um post sobre o filme de Edith Piaf?

Os mais rigorosos dirão que não é alternativo o suficiente para entrar no Brechó. Mas é arte, e das melhores. Conclusão? Merece, sim, uma publicação.

 

 Edith Piaf - um hino ao amor

Edith Piaf – um hino ao amor está entre os 58 filmes considerados os melhores do ano passado pelo Sesc – não é pra menos – e será exibido no CineSesc nos dias 19 e 21 de abril.

 

A cantora francesa é interpretada por Marion Cotillard e tem sua vida trágica, compatível com as músicas românticas e melancólicas que cantava, retratada no cinema de forma comovente.

 

Nascida em 1915, em Paris, Edith Piaf passou parte de sua infância num bordel com a avó. Entre os tumultos dessa fase, houve um período de cegueira: foi aí que se tornou devota de Santa Tereza.

 

Seu pai, que trabalhava no circo, a tirou do bordel e levou-a para as ruas em seus espetáculos. Foi então, aos nove anos de idade, que Edith Giovanna Gassion estreou sua carreira musical.

 

A juventude regada à bebida em Montmartre a iniciou no mundo artístico. Descoberta por Louis Lepleé, Edith começou a cantar num cabaré e logo ganhou fama. O nome Piaf – pardal, em francês – foi escolhido desde o início da carreira por Lepleé, que a achou semelhante ao pássaro.

 

O filme é composto por flash-backs: há, o tempo todo, um contraste de imagens de uma Edith pequena e assustada e da velha e doente Piaf. Alguns acontecimentos de sua história são sutilmente mostrados, como seus diversos romances, a morte de seu pai e o acidente de automóvel que sofreu.

 

Edith levou uma vida conturbada e boêmia. Os excessos a levaram a morrer bem cedo, aos 47 anos de idade, com a saúde extremamente debilitada.

 

A interpretação de Marion Cotillard é brilhante. Sua transformação na Edith idosa é incrível: não foi à toa que o filme recebeu o Oscar de melhor atriz e melhor maquiagem. Marion consegue trazer emoção a um filme potencialmente monótono, consegue fazer o público absorver o romantismo e a intensidade das canções a cada cena e a cada show – show igualmente de interpretação e talento.  

 





Que situação, hein Debord?

9 04 2008

 

 

 

 Por Julia Reina

 

O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta Que situação, hein Debord? Trazendo o trabalho do cineasta e filósofo francês Guy Debord (1931-1994) e suas críticas à chamada Sociedade do Espetáculo.

 

Você conhece Guy Debord? Ele foi, talvez, o crítico mais inspirado da era de conformismo, que surgia na era da contestação gerando um dos maiores paradoxos culturais. Também foi cineasta, talvez amador, ou como dizem alguns um “outsider”. Suicidou-se em 1994, se tornando uma espécie de figura recalcada na vida intelectual contemporânea. Debrod é referência incontestável nas barricadas do maio de 1968 na França.

 

Importante demais para ser esquecido; radical demais para ser constantemente lembrado.
Luiz Zanin, crítico e colunista do Estadão

Que Situação, hein Debord?, vem com o pretexto de comemorar os 40 anos do mesmo Maio de 68 francês. O evento vai discutir o paradoxo que surge conforme o situacionismo (movimento crítico da Sociedade do Espetáculo) torna-se mais uma moda consumida no mercado cultural urbano. O tema será abordado a partir de uma mostra com seis filmes realizados por Debord. Em seguida, debates

 Sob a curadoria de Marcus Bastos e Milena Szafir, é proposto um programa cultural bem amplo: serão exibidos todos os filmes de Debord, junto com outros que de alguma forma dialogam com estes. E ainda mesas de debates com artistas e intelectuais que serão convidados a relacionar o pensamento de Debord com práticas do urbanismo contemporâneo, da cultura digital e da crítica cultural. Para completar vídeo-instalações, e tudo culmina para uma manifestação de rua.

 

O evento iniciado ontem, dia 8, com o filme Debord: Sua Arte e Seu Tempo (1995), vai até dia 20 de abril. Consulte o site do CCBB para saber a programação completa.

 

 

Serviço

Que Situação Hein, Debord? 

Centro Cultural Bancodo Brasil (70 lug.).

Rua Álvares Penteado, 112, centro.

telefone 3113-3652.

Grátis (ingressos a partir das 10 horas).

Até 20/4

 

Leia Mais: http://blog.estadao.com.br/blog/zanin/?p=14286&more=1&c=1&tb=1&pb=1